Biblioteca Teiiti Suzuki

A maior biblioteca brasileira especializada em língua japonesa

A Biblioteca Teiiti Suzuki, especializada em estudos japoneses, abriga um vasto acervo na área de humanidades. São quase 40 mil obras entre livros, periódicos, fita cassete e VHS o que lhe garante ser também considerada a maior biblioteca pública da América Latina especializada na língua em razão de sua ampla diversidade, mesmo diante da existência da Biblioteca de Jovens do Pinhal, na cidade de São Miguel Arcanjo/SP que possui maior número de títulos. A biblioteca e o Centro de Estudos Japoneses (Cejap) da USP estão instalados na Casa de Cultura Japonesa, localizada na Cidade Universitária, Butantã, São Paulo.

A Casa foi inaugurada no dia 29 de julho de 1976, com recursos do governo do Japão, da Federação das Organizações Econômicas do Japão (Nippon Keidanren), da Organização Comemorativa da Exposição Mundial de 1970 (Banpaku Kikin) e da comunidade nipo-brasileira. O Cejap-USP foi fundado pelo professor Teiiti Suzuki, tendo sido oficializado em 1968, pelo decreto número 50.863, como uma entidade auxiliar do Curso de Língua e Literatura Japonesa, da Seção de Estudos Orientais da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo.

Depois da reforma universitária efetivada em 1970 o Cejap foi remanejado para o Departamento de Lingüística e Línguas Orientais. Em 1988, o Departamento foi desmembrado e dele surgiu o embrião do Departamento de Letras Orientais, oficializado com essa denominação em 2000. Atualmente o Cejap constitui-se como Centro Complementar da área de Letras e Ciências Humanas da USP.

Língua e crítica cultural

Diversas universidades brasileiras abrigam centros de estudos da língua e cultura japonesa que também são equipados com boas bibliotecas. Madalena Natsuko Hashimoto Cordaro, vice-diretora do Cejap e professora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP, afirma que os centros de estudos devem promover congressos, encontros, palestras, intercâmbios acadêmicos e atividades gerais relacionadas à difusão intelectual de sua produção.

Segundo ela, os centros devem desenvolver pesquisas em língua, literatura e cultura japonesas voltados à formação de uma crescente crítica cultural. As atividades do Cejap foram iniciadas em 1969, em instalação provisória localizada à Rua Mário Amaral nº 171, Paraíso, São Paulo. Do Bairro Paraíso o Cejap mudou-se para um dos Blocos do Conjunto Residencial da USP (Crusp) e a, partir de 1976, passou a ocupar dependências da Casa da Cultura Japonesa, situada à Avenida Professor Lineu Prestes 159, Cidade Universitária, onde continua desenvolvendo suas atividades.

Hoje, o Cejap mantém convênios com as universidades de Sophia, Kanagawa, Keio e Quioto, e desenvolve contatos diretos com as universidades de Quioto, Tóquio, Hiroshima, Sapporo e o Centro Internacional para Estudos Japoneses.

Centros universitários

Além do Cejap-USP, os principais centros de estudos em universidades brasileiras são: o Centro de Estudos Orientais da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (CEO-PUC), Centro de Estudos Asiáticos da Universidade de Brasília (Neasia-UnB), Centro de Estudos da Cultura Japonesa da Universidade Estadual de Londrina (NECJ-UEL), Instituto de Estudos Japoneses da Universidade Estadual de Maringá (IEJ-UEM), Núcleo de Estudos Japoneses da Universidade do Estado da Bahia (NEJ-UNEB), Núcleo de Estudos Japoneses da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (Neja-RFRGS).

Esses centros devem fomentar a compreensão da cultura, não apenas pela forma tradicional conhecida como ikebana, origami, cerimônia do chá e atividades do gênero, mas pela abordagem que permitem abranger aspectos ideológicos e comportamentais na essência das artes tradicionais, diz a professora Maria Fusako Tomimatsu, coordenadora do Núcleo de Estudos da Cultura Japonesa da Universidade Estadual de Londrina.

Por exemplo, o Centro de Estudos Orientais (CEO) da PUC-SP, de acordo com a coordenadora professora Christine Greiner, desenvolve projetos de estudo das questões de representação, diálogos culturais e interculturalidade, observando a influência japonesa no Ocidente.

Aprendizado da língua

O ensino da língua e o estudo da cultura japonesa não são promovidos somente em centros universitários. Muitas outras instituições também tratam do assunto e atendem o crescente interesse pelo aprendizado da língua japonesa. A mais conhecida delas é a Aliança Cultural Brasil-Japão, que tem sede na Rua Vergueiro 727, Bairro da Liberdade, São Paulo. A ACBJ oferece cursos regulares de língua japonesa, cursos de férias (janeiro e julho) e curso de língua portuguesa para japoneses em três unidades em São Paulo: Vergueiro (Rua Vergueiro, 727 – Liberdade), Pinheiros (Rua Deputado Lacerda Franco 328 – Pinheiros) e São Joaquim (Rua São Joaquim 381 – Liberdade).

Uma publicação da ACBJ de novembro de 2007 comenta o crescente interesse pela cultura japonesa, contando casos de alunos que superaram distâncias e dificuldades para freqüentar cursos regulares e cursos de férias. Um dos casos apresentados é o de Diana Koga, formada em Biomedicina, que atravessou 874 quilômetros, de Brasília a São Paulo, apenas para cursar o intensivo de férias da ACBJ, na unidade São Joaquim. Outro caso é o de Philippe Ricci, morador de São Luiz/MA, que cruzou 2.349 quilômetros para estudar na ACBJ. Philippe, sem ascendência japonesa, passou um ano aprendendo a língua sozinho e depois resolveu freqüentar um curso bem estruturado. Seu projeto é ingressar em uma universidade do Japão.

Jonas Soares de Souza



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