Diferenciais do patrimônio natural

Varvito de Itu é registro de drásticas mudanças geológicas

Paredões de rochas de 300 milhões de anos testemunham em Itu/SP uma época de mudanças drásticas nos climas e paisagens do planeta Terra. Os paredões compõem o Parque do Varvito, uma área de 44.346 m² de uma antiga pedreira, protegida pelo Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Arqueológico, Artístico e Turístico (Condephaat). O parque foi criado em 1993 e é equipado com um conjunto de painéis didáticos que elucidam o processo de formação das rochas.

Varvito é o nome utilizado pelos geólogos para denominar um tipo especial de rocha sedimentar formada pela sucessão repetida de lâminas ou camadas, cada uma delas depositada durante o intervalo de um ano. O termo deriva da palavra varve, originária da sueca varv, geralmente usada para denominar depósitos sedimentares chamados sazonais, isto é, controlados pela variação das estações do ano.

O tipo mais conhecido de varve é representado pelas lâminas ou camadas de sedimentos depositados em lagos formados na frente das geleiras, por meio do represamento da água produzida pelo derretimento do gelo, durante as fases de recuo das geleiras.

Apesar de ser hoje um País tropical, existem evidências geológicas da ocorrência de, pelo menos, cinco idades glaciais no Brasil. Uma delas, ocorrida no final da Era Paleozóica, mais ou menos entre 296 e 268 milhões de anos atrás, atingiu a região Sudeste do Brasil e a região de Itu.

Varvito de Itu

O varvito de Itu é um tipo de estrutura geológica interpretada como originada pela ação do gelo. Outro resultado dessa glaciação é a rocha moutonnée, em Salto/SP, que, devido o deslocamento do gelo sofreu ranhuras. O reconhecimento da “laje” de Itu como varvito, em 1938, deve-se a Othon Henry Leonardos, geólogo do então Serviço de Fomento da Produção Mineral do Brasil. Embora outras ocorrências de rochas identificadas como varvitos fossem já conhecidas no Sul do Brasil, Leonardos considerou a pedreira de Itu como “a mais linda exposição de varvitos encontrada no País”.

O Parque do Varvito tornou-se um local geologicamente famoso, frequentemente visitado por numerosos cientistas, professores universitários, estudantes de Geologia do Brasil e do Exterior, interessados em examinar essa excepcional e rara exposição de rochas tão peculiares. Trata-se da mais importante exposição conhecida desse tipo de rocha em toda a América do Sul.

Muro Geológico

Um grande bloco de varvito de Itu também está exposto no chamado Muro Geológico, no mais moderno museu de ciências da Europa – o CosmoCaixa, de Barcelona (Espanha). A pedra que integrava o Parque do Varvito foi retirada porque estava se desprendendo espontaneamente do paredão, empurrada pela pressão de raízes de árvores.

O Muro Geológico é uma parede de 140 metros de longitude, que domina a lateral da grande área de exposições permanentes do museu. Nele estão colocadas estruturas geológicas reais selecionadas por cientistas em dez lugares do planeta, especialmente relevantes por suas características geológicas.

O CosmoCaixa concebeu experimentos que demonstram o processo real que durante milhões de anos construiu as estruturas que se observam no muro. Por exemplo, ao simples aperto de um botão, um equipamento reproduz o processo de formação do varvito.

Estrada Parque

A Estrada Parque, Área de Proteção Ambiental do Rio Tietê e Cabreúva-Jundiaí, é modelo pioneiro de gestão participativa de unidade de conservação, com a característica de parque natural de percurso. Inaugurada em 1996, ao longo da SP-301, foi a primeira Estrada Parque constituída legalmente no País e consolidou-se como modelo conceitual, fundamentado no trinômio conservação, lazer e ecoturismo.

Implantada numa região que reúne um dos últimos remanescentes de Mata Atlântica na bacia do Médio Tietê, entre os municípios de Itu e Cabreúva/SP, estende-se por 48,9 quilômetros na Rodovia dos Romeiros (SP-301).

A construção da rodovia remonta às primeiras décadas do século 20 e demandou quase dez anos entre estudos e execução. Ela foi inaugurada em 1º de maio de 1922 por Washington Luís, na época, presidente do Estado. Tratava-se do trecho Cabreúva–Itu, da antiga Rodovia São Paulo-Mato Grosso, e tido então como a mais bela e bem acabada estrada do Estado de São Paulo. O traçado, na margem oposta do rio Tietê, acompanhava quase que o mesmo da antiga Estrada do Imperador, hoje, conhecida como Estrada do Pau d’Alho.

Palmeiras Imperiais

De vários pontos da cidade são visíveis as copas das palmeiras imperiais que formam uma aleia em frente à Igreja Nossa Senhora do Carmo. São as mais antigas árvores dos jardins urbanos de Itu. O Largo do Bom Jesus (Praça Anchieta) foi o primeiro a ser arborizado, quando em 1844 recebeu várias casuarinas. Essas árvores foram arrancadas em 1877 e, no ano seguinte, novas árvores foram plantadas. Mas, essas também sucumbiram.

Já as palmeiras imperiais do Largo do Carmo (Praça da Independência) impuseram respeito e permaneceram altaneiras. A botânica Beulah Cohen, estudiosa dos jardins ituanos, explicava que a palmeira imperial, ou palmeira real (Roystonea regia), ocorre desde as Antilhas até o Norte da América do Sul e alcança de 20 a 30 metros de altura. Geralmente é usada na arborização de alamedas por ser uma das mais altas e graciosas da família das palmeiras (Roystonea oleracea).

As palmeiras imperiais de Itu foram plantadas no final da década de 1880, por iniciativa de Bento Dias de Almeida Prado, o barão de Itaim, que encomendara suas mudas no Jardim Botânico do Rio de Janeiro. As alamedas do Jardim Botânico são ladeadas de palmeiras replantadas da palma mater, plantada em 1809 pelo próprio príncipe regente D. João (depois D. João VI). (JS)

Jonas Soares de Souza



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