A contribuição de Jundiaí

Organizada por descendentes, a Festa Italiana di Jundiaí tem quase 30 anos

A ideia de comemorar o centenário da imigração italiana em Jundiaí/SP, ocorrido em 1988, culminou na realização da primeira edição da Festa Italiana di Jundiaí. De lá para cá a festa ganhou importância e, hoje, integra os calendários oficiais de eventos do município e do Estado de São Paulo.

Nos primeiros anos a festa contou com mais de 300 voluntários, todos pertencentes à colônia italiana. Esse número aumentou e, atualmente, mais de 900 voluntários – de comunidades localizadas nos bairros Colônia, Ivoturucaia, Jardim Caçula e Jardim do Lírio – doam seu trabalho e recebem visitantes de toda a região com alegria, característica comum entre os italianos e seus descendentes.

São oito dias de festa, período em que a importância da imigração italiana é relembrada, assim como os valores, costumes, tradição, cultura, culinária e origem dessa comunidade que ajudou a construir a história de Jundiaí. Os organizadores se preocupam ainda em conferir à Festa Italiana di Jundiaí um caráter nobre, destinando a arrecadação financeira para ações sociais e religiosas.

Oferece suporte às seguintes entidades assistenciais: Associação de Educação Terapêutica para Portadores de Lesões Neurológicas (Amarati), Centro de Atendimento à Síndrome de Down “Bem-Te-Vi”, Centro Scalabriano de Promoção do Migrante (Cesprom), Instituto Jundiaiense Luiz Braille, Paróquia Santo Antonio de Pádua – Comunidade de Ivoturucaia e Pastoral das Fraldas – Paróquia Sagrado Coração de Jesus, que participam ativamente do evento.

Outra destinação dos recursos da Festa Italiana di Jundiaí é para a evangelização com ampliação e construção de capelas nos arredores de toda a área abrangida pela Paróquia Sagrado Coração de Jesus, bem como para a construção e benfeitorias para a estrutura física da própria Paróquia. Entre as obras já realizadas destacam-se as construções de dois Centros Comunitários na Paróquia Sagrado Coração de Jesus, da Capela São Francisco no Jardim Tamoio, da Paróquia Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e São José na Cidade Nova, da Capela Scalabrini, em Ivoturucaia, da Capela Santo Antonio, também em Ivoturucaia e da Capela São Pedro na Vila Real, no município de Várzea Paulista/SP.

Houve ainda aquisições de vários terrenos para futuras comunidades, centros comunitários e capelas; compra do estacionamento para os paroquianos, antes locado; e construção da nova Matriz Sagrado Coração de Jesus, no Bairro da Colônia, em substituição à igreja antiga, demolida em 2003.

29ª edição

Neste ano, a Festa Italiana di Jundiaí chega a sua 29ª edição. Com o tema “Nossa missão é servir”, o tradicional evento acontece no período de 14 de maio a 5 de junho em dois ambientes, e a expectativa é de que 130 mil pessoas participem e degustem a boa culinária típica italiana.

A novidade para os visitantes da Cantina Roma (trabalha com venda de convites) é que poderão saborear a “polenta onta”, conhecida no Brasil como polenta cremosa, com molho à bolonhesa. Esse prato será servido somente nas noites de sábado. Também nesse ambiente da festa, nas noites de 14 e 21 de maio e 4 de junho, haverá apresentações dos Tenores Brasileiros (trio de vozes composto por Armando Valsani, Nino Valsani e Francisco Romanelli) e, no dia 28 de maio, do cantor Tony Angeli.

Na Cantina Piazza Vêneto (com entrada gratuita), a novidade fica por conta de mais uma opção fria no almoço de domingo, que passa a ter porção de salada, além do antepasto de berinjela e sardella. A expectativa é repetir o sucesso das edições anteriores. A comissão organizadora da festa também se preocupa com a preservação do meio ambiente e, portanto, materiais descartáveis e recicláveis como papelão, latas de bebidas e óleo de frituras são destinados para o descarte correto. Essa ação colabora ainda com entidades como a Bem-Te-Vi que faz a reciclagem das latas de alumínio.

Circuito das Frutas

Além de ser conhecida pela tradicional Festa Italiana, Jundiaí faz parte do Circuito das Frutas, que se destaca pela realização do turismo rural em diversas propriedades, aproveitando o potencial de produção de frutas da região administrativa de Campinas/SP, em que está localizada. O Circuito das Frutas é composto ainda pelos municípios paulistas de Atibaia, Indaiatuba, Itatiba, Itupeva, Jarinu, Louveira, Morungaba, Valinhos e Vinhedo.
Essa região é conhecida, em nível nacional, pelos eventos ligados à temática das frutas que acontecem anualmente como as Festas da Uva, do Morango, do Caqui, da Goiaba e do Figo. Essas festas comemoram a produção e valorizam o produtor rural dos respectivos municípios. Vale destacar, nessa região do Estado de São Paulo, as culturas de acerola, ameixa, caqui, figo, goiaba, morango, pêssego e uva.

Outro atrativo da região é a gastronomia, graças às tradições e diversas etnias que ali se instalaram. Essa condição possibilita ao turista uma variedade de opções que vai da comida da fazenda, cantinas italianas e contempla até as culinárias japonesa e alemã, por exemplo. O artesanato local, a vida no campo, tradições, culinária e frutas frescas direto do pé somadas à hospitalidade comum na roça estão presentes nos roteiros rurais do Circuito das Frutas.

As adegas de produção de vinho artesanal, alambiques e a cultura italiana, presente em todos os municípios, também são atrações do Circuito.

Economia

O arquiteto Eduardo Carlos Pereira, autor do livro “Núcleos Coloniais e Construções Rurais” e estudioso da imigração italiana, ressalta a mudança ocorrida em Jundiaí com a chegada dos italianos no final do século 19 e nas décadas seguintes. “Alteraram os hábitos de alimentação e agrícola; fizeram o pão, as hortas, as frutas, a uva. As cerâmicas e o saber fazer em todas as atividades e ofícios da vida. São grandes e singulares figuras nas suas especialidades como o médico Domingos Anastácio, século 19, considerado hoje o médico dos milagres, os engenheiros e arquitetos como Vasco Venchiarutti e dezenas de colegas profissionais”.

Pereira analisa a contribuição dos imigrantes italianos e descendentes na economia da cidade de Jundiaí. Segundo ele, no século 20 algumas agroindústrias locais, cujos proprietários eram italianos, tiveram projeção internacional, como a Companhia Industrial de Conservas Alimentícias (Cica) que foi a maior multiprodutora agrícola brasileira até 1993, quando foi adquirida pela Arisco e, depois, incorporada à companhia multinacional Unilever. Outro caso é o da Cereser, hoje a maior vinícola de espumantes do mundo.

Cita ainda os marceneiros que fizeram, na primeira metade do século 20, a maior fábrica de cadeiras do Brasil, a partir do italiano Sperandio Pelliciari, que iniciou no século 19 a indústria moveleira que leva seu nome. Destaca também as indústrias cerâmicas, tanto as de blocos como as de cerâmica sanitária, ambas do século 20, que foram as maiores produtoras de cerâmica do mundo.

Pereira avalia que atualmente, com 402 mil habitantes, Jundiaí tem a participação dos descendentes diluída no conjunto da população e se beneficia de sua localização estratégica no Estado de São Paulo, vantagem que já havia sido identificada pelos italianos no século 19 e hoje atrai indústrias de outros segmentos, como o de alta tecnologia, cujas principais representantes são Apple, Foxconn, Siemens, AGP Tecnologia, Allied Advanced Technologies e Itautec.

Angélica Estrada

Festa Italiana di Jundiaí integra os calendários de eventos da cidade e do Estado – Divulgação/Festa Italiana

Mais de 900 voluntários colaboram com a festa atualmente – Divulgação/Festa Italiana

Uma das especialidades da festa é o crustuli (foto), massa doce frita e polvilhada com açúcar – Divulgação/Festa Italiana

Celebração religiosa durante a festa realizada em 2015 – Divulgação/Festa Italiana

Evento de lançamento da Festa Italiana di Jundiaí de 2016 – Divulgação/Festa Italiana

Tenores Brasileiros estão entre as atrações da festa deste ano – Divulgação/Festa Italiana

“Polenta onta” será servida, este ano, na Cantina Roma – Divulgação/Festa Italiana

O arquiteto Eduardo Carlos Pereira fala sobre a contribuição dos italianos para Jundiaí – Coleção Eduardo Carlos Pereira



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