O sucesso da Festa Italiana

Em 15 anos a festa evoluiu e se aperfeiçoou, atingindo seus objetivos

No decorrer dos últimos 15 anos, o idealismo e a força de vontade transformaram-se em alguns dos componentes do grande sucesso que se tornou a Festa Italiana de Itu/SP. Conforme o ditado “é errando que se aprende”, problemas das edições iniciais foram contornados nos anos seguintes. A experiência adquirida fortaleceu a comunidade, agregou mais apoiadores, modernizou e fez adequações na estrutura. Os improvisos, pouco a pouco, ficaram cada vez menos frequentes.

O público, que na primeira festa foi de 6 mil pessoas, hoje é estimado em mais de 40 mil pessoas somados os quatro dias do evento. Essa informação representa muitos avanços: a organização da festa se aperfeiçoou indiscutivelmente; o dinheiro arrecadado em todo esse período bancou a restauração da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária, com exceção das obras de arte; e a festa tornou-se parte integrante da cultura da cidade, atraindo, inclusive, turistas não só paulistas, mas também de outros Estados.

Mas para alcançar esses resultados foi necessário muito trabalho, dedicação e criatividade.

Isso foi possível graças ao empenho não só dos idealizadores do CPA (Conselho Paroquial Administrativo), mas também de toda a comunidade envolvida com a Igreja Matriz, patrocinadores, poder público e, claro, do prestígio da população ituana.

Evolução e crescimento

Quando se fala da evolução e crescimento da Festa Italiana de Itu é importante considerar as mudanças de local do evento nos últimos 15 anos. Da primeira edição até 2008, a festa ficou concentrada na Rua Barão de Itaim. O público foi crescendo e o espaço foi diminuindo, tornando-se necessário encontrar um novo local.

De 2009 a 2012, a festa passou a ser realizada na Praça da Independência (Largo do Carmo), com as barracas montadas no recuo ao lado da Igreja de Nossa Senhora do Carmo. Apesar do aumento do espaço físico, o local ainda não era o ideal, sobretudo devido à distância para a cozinha da Igreja Matriz. “Essa logística era inviável”, explica o padre Francisco Carlos Rossi, que em 2012 assumiu a chefia paroquial da Igreja Matriz.

Em 2013 a festa foi transferida para a Praça Padre Miguel (Largo da Matriz), onde segue até hoje. Devido ao crescimento da estrutura e do público, os organizadores já receberam sugestões de outros locais, mas que comprometeriam a essência da festa. “Já sugeriram levá-la para o Estádio Municipal Dr. Novelli Jr. ou para aquele recinto onde se fazia antigamente o rodeio, o Itusão (Avenida da Saudade), ou ainda para o pátio da Brasil Kirin”, conta Rubens Natal Pereira, que integra a comissão organizadora. “Se tirar a festa daqui ela perde suas características. Enquanto for possível, vamos segurá-la aqui”, acrescenta.

Organização

A 15ª edição da Festa Italiana de Itu aconteceu nos dias 23, 24, 30 e 31 de janeiro deste ano. A organização, no entanto, começa bem antes. O padre reúne a comissão em julho para planejar a festa do começo do ano seguinte. Já nas primeiras reuniões são definidas as datas e selecionados os coordenadores de barracas. É nesse momento que eventuais novidades podem aparecer. Neste ano, por exemplo, foram acrescentadas à festa as barracas de polenta com frango em molho e também a de milho verde.

Escolhidos os coordenadores, estes já ficam incumbidos de montar suas equipes e apresentá-las à comissão, que lhes providencia uniformes e crachás. A festa deste ano contou com 16 barracas e o número de colaboradores foi de 350 pessoas, que trabalharam nos dias de festa em dois turnos.

As barracas são padronizadas e a decoração da 15ª Festa Italiana de Itu foi providenciada pelo próprio pároco. “Montamos um kit com as cores da bandeira italiana para cada um dos coordenadores”, afirma o padre Francisco Rossi.

Daí para frente entra em cena o trabalho minucioso da comissão para comprar os produtos que serão comercializados na festa. O objetivo é garantir o menor preço possível, mas sem abrir mão da qualidade e da parceria com os fornecedores. “São apenas dois finais de semana e não podemos correr o risco de sobrar alimento. O que é consumido em maior quantidade nós compramos em consignação”, salienta Rubens Pereira, que tem a missão de pesquisar preços e fazer as compras.

A festa

O trabalho dos voluntários começa uma semana antes da festa, quando a cozinha da Igreja Matriz inicia alguns preparativos, como o frango e o molho de tomate. “São 120 caixas de tomate para fazer molho para cada final de semana”, conta Pereira. Outros números de consumo na festa chamam a atenção: 2,2 toneladas de frango frito, 400 quilos de macarrão, 1 tonelada de polenta frita, 2 mil pizzas, 500 quilos de carne moída e 1,3 tonelada de mussarela.

As bebidas ficam a cargo da Brasil Kirin, patrocinadora máster da festa desde a primeira edição. Atualmente, o público consome cerca de 1,3 mil dúzias de produtos entre cerveja, refrigerantes, sucos e água. Em outra barraca, a única terceirizada da festa, comercializa-se suco de uva natural e vinho.

As doações tornaram-se mais difíceis com o passar do tempo e devido à situação econômica do País nos últimos anos. Atualmente, o maior número de doações é de ingredientes para fazer os doces.

Várias empresas colaboram com a festa de formas diferentes, sobretudo com a publicidade, com destaque para o Grupo Maggi. O suporte à festa conta com a importante participação de empresas como o Grupo Lorenzon, que cede o gerador de energia, e também a Prefeitura, que dá apoio com interdição de trânsito, segurança, instalações de som e iluminação, além de bancar palco e as atrações artísticas anualmente.

Arrecadação

Com o apoio de alguns empresários, mas, sobretudo, com os recursos arrecadados na festa, foi possível restaurar a igreja ao longo dos últimos 15 anos. O dinheiro oriundo anualmente da Festa Italiana é a principal receita da Paróquia Nossa Senhora da Candelária para o ano, sendo utilizado nas despesas com funcionários, manutenção e assistência a famílias carentes.

Alguns eventos que antigamente faziam parte da Festa Italiana deixaram de ser realizados pelos gestores atuais com o intuito de assegurar ao evento caráter menos elitista. Um deles foi a homenagem às famílias de descendentes de italianos de Itu, que envolvia a celebração de uma missa em italiano na Igreja Matriz e um almoço de confraternização das famílias no salão paroquial. A primeira família homenageada foi a do monsenhor Camilo Ferrarini, em 2002, mas também foram brindadas famílias como Francischinelli, Daldon, Fioravanti, Scalet, Benedetti, Christofoletti, Bragagnolo, Padovani, entre outras.

Outro evento que deixou de ser realizado foi o Jantar Italianíssimo, que era organizado também no salão paroquial. Cerca de 400 convites eram vendidos. Além do jantar, o público assistia ao show de artistas como Tony Angeli, Mafalda Minnozzi e Fred Rovella, entre outros. Foi extinto também um jantar italiano que reunia a elite da sociedade ituana no salão social do Hotel Itu Plaza.

Antonio Rafael Júnior

Nos últimos anos, em média mais de 40 mil pessoas prestigiam a Festa Italiana de Itu. No detalhe, portal da primeira festa em 2002 – Arquivo Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária / Tucano

Nos últimos anos, em média mais de 40 mil pessoas prestigiam a Festa Italiana de Itu. No detalhe, portal da primeira festa em 2002 – Arquivo Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária / Tucano

O show “Três Tenores Brasileiros e Banda” contagiou o público na Festa Italiana de 2016 – Tucano

Equipe de voluntários na movimentada barraca do spaghetti – Tucano

Preparação do molho de tomate começa uma semana antes da festa – Arquivo Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária

Preparação do molho de tomate começa uma semana antes da festa – Arquivo Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária

Mafalda Minnozzi foi uma das atrações artísticas da 15ª Festa Italiana – Tucano

Missas em homenagem às famílias italianas de Itu lotavam as dependências da Igreja Matriz. No detalhe, da esquerda para a direita, o então padre Durval de Almeida, Monsenhor Camilo Ferrarini (cuja família foi a primeira a ser homenageada, em 2002) e o celebrante da missa em idioma italiano, padre Marcelo Alessandro de Lima – Tucano / Coleção Milva Regina Guarnieri Savi

Missas em homenagem às famílias italianas de Itu lotavam as dependências da Igreja Matriz. No detalhe, da esquerda para a direita, o então padre Durval de Almeida, Monsenhor Camilo Ferrarini (cuja família foi a primeira a ser homenageada, em 2002) e o celebrante da missa em idioma italiano, padre Marcelo Alessandro de Lima – Tucano / Coleção Milva Regina Guarnieri Savi

Almoço em 2010 em homenagem às famílias Scalet e Benedetti, no salão paroquial da Igreja Matriz de Nossa Senhora da Candelária – Arquivo Jornal “A Federação”



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