Editorial

Vamos caminhar?

Nosso passeio será pela história das mais antigas ruas, praças, alamedas, becos, travessas e avenidas de Itu/SP; algumas nem tão antigas assim. Vem conosco, pois dentro desse contexto histórico e ao mesmo tempo geográfico da cidade, a mobilidade urbana não poderia ficar de fora

Rua é algo comum para qualquer cidadão em todo lugar do mundo. Apenas muda-se a grafia. Na Polônia é ulica, na Itália strada, na França rue, na Alemanha strabe, na Coreia geoli, no Japão sutorito, na Espanha calle, na Inglaterra e Estados Unidos street, na Arábia shorie, na Russia ulitsa, na Holanda straat e na China jietóu. Depois deste giro pelo mundo, voltemos para Itu para seguir nesse nosso passeio.

Você já parou para pensar que caminhamos diariamente por ruas com mais de 400 anos?

No eixo histórico sobrevivem ruas e praças projetadas em estilo urbanístico genuinamente português. Nesses quatro séculos, quantas pessoas passaram por elas e quantas histórias e acontecimentos de significativa importância esses locais presenciaram ao longo do tempo?

Podemos dizer que elas são testemunhas dos fatos, sem dúvida. Quantos pés de pessoas comuns e de donas de algum poder já pisaram suas calçadas? Vale lembrar aqui, que hoje a maioria delas está pessimamente conservada. Praticamente intransitáveis. Caminhar por elas é um verdadeiro desafio para o pedestre, para não dizer malabarismo! E esse desafio se torna ainda maior quando se trata de idosos ou deficientes físicos.

São postes plantados em calçadas quebradas e estreitas, buracos de todos os tamanhos, raízes expostas de árvores imensas, além de muito mato. Sem falar no lixo e entulho depositados em alguns locais pelos próprios moradores, sem o menor “peso na consciência”, uma tremenda demonstração de falta de EDUCAÇÃO. E o que é pior, não tem ninguém que fiscalize para multar os culpados. Além da multa, muito mais producente seria o município desenvolver campanhas de conscientização para dizimar essa cultura de mau hábito, de ausência de cidadania. Do contrário, nunca atingiremos um grau respeitável de civilidade.

Nesta caminhada pelas ruas da cidade, os problemas do trânsito são abordados com opiniões, críticas construtivas e sugestões de pessoas entendidas no assunto com a intenção de obter avanços e conquistas para que Itu possa ter melhor mobilidade urbana, tanto de pessoas como de veículos.

Por exemplo, o arquiteto e urbanista ituano José Quirino de Arruda, ao lado de seu filho também chamado José, desenvolveu o “Projeto de Urbanismo: Mobilidade Urbana e Comunicação Visual” para eventual implantação no município. O projeto, que revela a preocupação dos arquitetos com a sua cidade, teve inspiração no traficc calming, expressão inglesa para tranquilização do tráfego, conceito que surgiu no Reino Unido na década de 30.

Como caminhar é sempre saudável em todos os sentidos, nesta edição, caro companheiro de caminhada, você também terá revelações sobre os personagens e datas comemorativas que dão nomes às ruas, avenidas e praças da cidade. Há algumas, inclusive, conhecidas por nomes curiosos e pitorescos, que trazem à tona o bom humor e a perspicácia dos ituanos. Outras, que foram imprescindíveis para a expansão da cidade.

A capa desta edição mostra a antiga Rua da Palma, atual Rua dos Andradas, na altura onde se encontra a E.E. Regente Feijó, esquina com a Rua Dr. José Elias. Que bela imagem! Assim eram as ruas de Itu antigamente.

Vamos nessa percorrê-las, pois como diz o poeta, “Pra frente é que se anda”. Sempre!

João José “Tucano” da Silva
Editor responsável



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