Treinamento de Liderança Cristã

Técnicas de dinâmica de grupo para despertar líderes cristãos

O Treinamento de Liderança Cristã (TLC), de acordo com seus membros, é um movimento de evangelização, de chamado dos mais afastados da Igreja para levar-lhes as palavras de Cristo – “Ide pelo mundo e pregai o evangelho a toda a criatura”. Promovendo uma conversão constante, o movimento objetiva também despertar a verdadeira liderança cristã nas pessoas.

O TLC promove encontros que têm a duração de dois dias e meio e são realizados em uma fazenda, casa de retiro, hotel, seminário, colégio, enfim, “qualquer lugar onde se possa dormir, comer e reunir os cursistas e dirigentes.

A Secretaria Nacional do movimento afirma que o TLC quer formar comunidades apostólicas que tenham vivência evangélica nos planos humano, social, político e espiritual. De acordo com o órgão, “o TLC só faz sentido se estiver a serviço da Igreja em todos os níveis – diocesano, vicarial e paroquial”.

Como alcançar essa meta? Valendo-se de técnicas de dinâmica de grupo e da rica mensagem cristã para estabelecer uma comunidade de amor: “Cristo vivendo, agindo e amando nos corações dos jovens”. ToLoCo por Jesus, é o lema dos participantes do movimento.

Cursilhos de Cristandade

O TLC surgiu por volta de 1965, quando o padre norte-americano Haroldo J. Rahm e um grupo de leigos, jovens e adultos, decidiram criar uma espécie de cursilho para jovens, combinando dinâmica de grupo, exercícios espirituais de Santo Inácio de Loyola, da Congregação de Maria, da Legião de Maria, da Ação Católica, documentos do Concílio Vaticano II e do movimento Search for Christian Maturity.

Padre Haroldo vinha de El Paso/Texas (USA), onde já trabalhava com o Cursilho de Cristandade. Ao chegar ao Brasil, em 1964, participou do quarto Cursilho realizado em Campinas/SP e, em seguida, começou a atuar como diretor espiritual do Cursilho no Brasil.

O movimento de Cursilhos surgiu no contexto social, político, econômico e religioso da Espanha, nas décadas de 1930/1940, por iniciativa da Juventude da Ação Católica Espanhola (Jace), da Diocese de Palma de Maiorca. A Jace promovia peregrinações a santuários nacionais e participou especialmente da preparação e realização da grande peregrinação de agosto de 1948 a Santiago de Compostela. No interior desse trabalho surgiu a obra dos Cursilhos, que eram pequenos cursos preparatórios à peregrinação e foram ministrados a milhares de jovens por toda a Espanha.

O eixo doutrinário, constituído pelo anúncio jubiloso do Evangelho pelo método querigmático-vivencial (de querigma, transmissão da mensagem cristã a quem não é cristão, visando a convertê-lo), facilitava a conversão de milhares de jovens. O método vivencial, testemunhal e transparente provocava um entusiasmo que tocava na emotividade das pessoas envolvidas.

Apesar de espalhada por quase todas as dioceses da Espanha, a obra despertou adversários no seio da própria Ação Católica e da hierarquia da Igreja e os Cursilhos foram postos sob suspeita em algumas regiões.

Em 1953, resolvidas as pendências, os Cursilhos receberam o nome de Cursilhos de Cristandade. Tratava-se de escolher “homens vértebras”, convertê-los nos Cursilhos e recolocá-los em seus ambientes de origem, conquistando-os para Cristo pela ação de uma cristandade, nos moldes das pequenas comunidades primitivas. O primeiro Cursilho de Cristandade no Brasil foi realizado em Valinhos/SP, em 1962, e encontrou terreno para uma notável expansão.

Interpretações fantasiosas

O interesse dos jovens pelo Movimento dos Cursilhos de Cristandade certamente influiu na decisão de padre Haroldo por criar o TLC, que a partir de sua criação se espalhou rapidamente por todo o Brasil. Surgiram líderes religiosos e leigos que promoveram o Treinamento de Liderança Cristã em suas cidades e regiões, como o padre Francisco dos Santos (Padre Chico), em Indaiatuba/SP, e Sebastião Manuel Antunes (Tião), em Porto Feliz/SP.

As reuniões de jovens em locais restritos, em período pós-golpe militar de 1964, provocavam rumores e interpretações fantasiosas. Para os que ficavam de fora, os retiros eram envolvidos em nuvens de mistério, seus participantes submetidos a processo de lavagem cerebral e as palestras eivadas de conformismo diante do regime recém-implantado.

Carlos Bauss, levado por Tião Antunes a um retiro em Campinas, no início dos anos de 1970, conta que o método vivencial-testemunhal o levou ao pranto e reforçou seu comportamento cristão, mas, em nenhum momento modificou sua visão de mundo e convicções políticas. Ele cita as palavras do padre Haroldo: “Por melhor que eu seja, nunca serei tão bom ou tão eficiente quanto todos nós juntos”.

Padre Haroldo, hoje com 90 anos, além de participar do TLC faz um notável trabalho de recuperação e de prevenção de dependentes químicos na Fazenda do Senhor Jesus, em Campinas e desenvolve o Projeto Amor Exigente, que trata do relacionamento entre pais e filhos, com vistas a prevenir o surgimento de futuros dependentes químicos.

Jonas Soares de Souza



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