Editorial

Brasil japonês

Comemoramos 100 anos de história da chegada dos primeiros imigrantes japoneses no Brasil. Ninguém poderia imaginar que isso resultaria numa sólida amizade e respeito entre duas nações de costumes, hábitos, religião e culturas antagônicas

Na manhã do dia 18 de junho de 1908 desembarcaram no porto de Santos/SP os primeiros 781 imigrantes japoneses oficialmente autorizados pelo governo de ambos os países.

Naquele momento o Brasil necessitava de braços para o trabalho na lavoura de café e o Japão passava por profunda crise econômica. O desemprego e a fome assolavam duramente o povo japonês. Esses fatores foram determinantes no processo imigratório.

Depois de longa e difícil viagem marítima de quase dois meses o destino final dos orientais era as fazendas do interior paulista para onde foram contratados com o intuito de ajudar a substituir a mão-de-obra escrava negra liberta em 1888.

Mas poucos desses imigrantes permaneceram nas fazendas, pois além do trabalho ser árduo e exaustivo muitos dos latifundiários não cumpriram os contratos estabelecidos e a grande maioria deles retornou para São Paulo.

A Fazenda Floresta, no Bairro Pedregulho em Itu, que, na época, pertencia a Godofredo da Fonseca é um exemplo do que ocorreu na maioria das propriedades agrárias paulistas. Dos 781 japoneses que embarcaram no navio Kasato Maru, em Kobe, naquela primeira viagem, 173 foram encaminhados para lá, mas ali permaneceram pouco tempo.

Sucessivas levas de imigrantes japoneses continuaram a chegar no Brasil. Esse processo foi interrompido durante a Segunda Guerra Mundial (1939 a 1945), pois o Japão era integrante do Eixo ao lado da Alemanha e Itália.

Mesmo após a guerra, a entrada de japoneses no País só foi autorizada pelo governo brasileiro em 1949 quando são retomadas as relações diplomáticas e comerciais entre os dois países. O último grupo de imigrantes chegou ao Brasil em 1973. Ao longo desse processo imigratório é evidente que muitos japoneses voltaram para o Japão, mas a maioria adotou o País como sua nova Pátria.

Além do trabalho e da integração de culturas, hábitos e costumes os imigrantes japoneses e seus descendentes, ao longo destes 100 anos, contribuíram para estreitar o relacionamento de amizade entre dois países distantes não apenas em termos geográficos. Foi com esse “jeitinho japonês” que o Japão conquistou o Brasil.

A foto da capa desta edição – “Brasil e Japão em flores”- mostra as flores que simbolizam os dois países: a flor de cerejeira, o Japão; o ipê-amarelo, o Brasil.

João José “Tucano” da Silva
Editor responsável



Leia outras matérias

Mil olhos no futuro
Pilares da preservação cultural
Portugueses no Japão
Celebração do centenário