Editorial

Convite a uma cavalgada histórica

Coloque firme o pé direito no “estribo” da leitura desta edição para conhecer os 200 anos de história do cavalo Mangalarga, raça genuinamente brasileira que se tornou referência hoje até mesmo no exterior devido seu andamento, morfologia, docilidade e beleza. Nobres predicados.

E foi das mãos do nobre Dom João VI que o Barão de Alfenas, Francisco Gabriel Junqueira, recebeu um garanhão Lusitano, trazido da Coudelaria Real de Alter do Chão, localizada na região do Alentejo, Portugal. Sucessivos cruzamentos desse equino português com as éguas brasileiras do Barão deram origem ao cavalo Mangalarga, no sul de Minas Gerais.

Em dois séculos, a raça evoluiu de forma surpreendente e passou a conquistar cada vez mais inúmeros apaixonados por um exímio cavalo marchador de sela tanto para ser utilizado no campo, na lida com o gado, como para o lazer – viagens e cavalgadas – ou até mesmo para a prática de alguns esportes nos quais equinos desempenham papel preponderante, como por exemplo, nas tradicionais caçadas ao veado que ocorriam no passado.

A família Junqueira cresceu e alguns de seus descendentes migraram para o Estado de São Paulo, no começo do século passado. E o Mangalarga veio junto na mudança.
Diferente da montanhosa topografia mineira, aqui, devido ao fato do terreno ser mais plano, o Mangalarga ganhou novo andamento, conhecido como marcha trotada. Há quem afirme que isso se deve também em razão do cruzamento com outras raças.

Numa iniciativa dos paulistas, os criadores do cavalo Mangalarga passaram a contar com uma associação, denominada Associação Brasileira de Criadores de Cavalo da Raça Mangalarga (ABCCRM), fundada em 25 de setembro 1934, em São Paulo, para realizar registros genealógicos e evidentemente defender os interesses de seus associados.

Em 16 de julho de 1949, os mineiros fundaram em Belo Horizonte outra entidade representativa que passou a se chamar Associação Brasileira dos Criadores do Cavalo Mangalarga Marchador (ABCCMM). São entidades distintas, mas não se pode negar que tanto o Mangalarga Mineiro como o Mangalarga Paulista possui origem no mesmo tronco genético do cavalo que o Barão ganhou de presente.

Porém há criadores, tanto de um lado como do outro, que costumam “refugar” feio diante dessa histórica constatação e não concordam. São opiniões divergentes. E como tal merecem ser respeitadas. O mais importante é que hoje existem no Brasil duas entidades atuantes em torno do Mangalarga. Como diria o caipira: “Tem Mangalarga pra todo gosto”. Há cavaleiros que preferem a marcha do Mineiro, outros a marcha trotada do Paulista.

Seguindo essa “cavalgada histórica” em torno desse fascinante animal, vale salientar que hoje em Itu/SP e região existem importantes criatórios os quais têm contribuído para a evolução do cavalo Mangalarga e principalmente para o desenvolvimento econômico, a exemplo dos milhares espalhados pelo Brasil, pois, sem dúvida, esse produto corrobora espetacularmente para o Produto Interno Bruto (PIB) do País, gerando renda e empregos diretos e indiretos. Em nossa região existe, inclusive, a Universidade do Cavalo, centros de treinamento e até mesmo um hospital destinado a equinos.

Devido ao número de criadores e apaixonados pela atividade equestre por aqui, as autoridades competentes deveriam pensar seriamente em equipar o município de Itu com um moderno parque de exposições para atividades ligadas ao setor e que também pudesse ser utilizado, evidentemente, para atender outras finalidades como shows e eventos culturais. Isto sem falar no aspecto econômico e de visibilidade que essa iniciativa iria trazer para o município.

Como diz o ditado popular: “Oportunidade é um cavalo arreado que passa só uma vez”. Este é o momento certo!

O Mangalarga Mineiro (à esq.) e o Mangalarga Paulista possuem origem genética do garanhão Alter Real doado por Dom João VI – Alcides Flavio Gatti de Oliveira (Nenê)

João José “Tucano” da Silva
Editor responsável

 



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