Editorial

Histórica marcha centenária

A marcha militar em Itu/SP teve início no dia 20 de janeiro de 1918 com o 7º RAM – Regimento de Artilharia Montada. O Tenente Coronel Raphael Clemente Telles Pires foi primeiro comandante e o efetivo inicial era composto por apenas 29 praças
Toque da Alvorada – Os primórdios dessa importante unidade militar do Exército Brasileiro se deu 29 anos após a Proclamação da República (15 de novembro de 1889). Podemos dizer, no alvorecer da vida republicana no Brasil e, sem dúvida, com um importante e peculiar detalhe: nestes 100 anos de atividades militares dessa longeva caserna, desde sua implantação, se manteve integrada à comunidade ituana.

Sentido! – Em contra partida, a população sempre lhe prestou respeitosa “continência”.  Ao longo do tempo, esse aquartelamento passou por inúmeras mudanças, transformações e sucessivas trocas de comandantes. Também recebeu várias denominações, mas o povo ituano sempre fez questão de chamá-lo de maneira íntima e carinhosa de “Quartel de Itu”.

Ordem unida – Em sua histórica marcha sincronizada contínua, o Quartel de Itu, depois de um ano como 7º RAM, passou a se chamar 4º RAM até 1948. Posteriormente, recebeu a denominação de 2º RO 105 (2º Regimento de Obuses 105). Ainda na década de 40 foi denominado Regimento Deodoro, em homenagem ao marechal Manuel Deodoro da Fonseca.

Material bélico – Os primeiros obuseiros autopropulsados 105 mm, modelo 108, chegaram em 1972. Suas lagartas de aço faziam tremer os paralelepípedos das ruas desta antiga cidade. Devido a esse novo armamento, em 1977, passou a ser chamado de 2º GAC-AP (2º Grupo de Artilharia de Campanha Auto Propulsado). Nesse período se instalou também nos entre muros do Quartel de Itu a 11ª Bateria de Artilharia Antiaérea. Em 2005, passou a se chamar 2º GAC L (2º Grupo de Artilharia de Campanha Leve, subordinado à 11ª Brigada de Infantaria Leve.

No Front – O Quartel de Itu esteve presente nos principais conflitos bélicos do Brasil como na Revolução Constitucionalista de 1932, como legalista, na 2ª Guerra Mundial, defendendo a Costa brasileira em Recife/PE e Maceió/AL e também na Itália, tomando parte da Força Expedicionária Brasileira, e no Golpe Militar de 64, que os militares o chamam de “Revolução Democrática” e muitos civis de “Revolução de 64”.

Missão de paz – Aqui a guerra era outra. Militares de Itu atuaram em importantes missões humanitárias coordenadas pela ONU (Organização das Nações Unidas) no Canal de Suez, no Egito, Timor Leste, na Ásia, e Haiti, na América Central. Durante a Copa do Mundo de 2014, Olimpíadas de 2016 e em missões de pacificação do Rio de Janeiro também estiveram presentes. Este ano é provável que integrem outra missão de paz da ONU. Desta vez, na República Centro-Africana.

Fardamento novo – O suntuoso conjunto arquitetônico que abriga o Quartel de Itu foi construído pelos padres jesuítas no final do século 19. Nesse prédio funcionou o Colégio São Luís até 1917, quando foi transferido para São Paulo, onde permanece até hoje na região da Avenida Paulista. Como a construção fora projetada para atender um centro educacional, em princípio, as instalações tiveram que passar por adaptações e ampliações para abrigar a unidade militar. Nos últimos anos, lamentavelmente, o imponente prédio do Quartel de Itu passou a sofrer ameaças de dois tipos devastadores de cupins, infiltrações, trincas e rachaduras. Segundo laudos técnicos, esse bem tombado pelo Condephaat (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico do Estado de São Paulo) necessita de restauração urgente para vencer essa “guerra”.
Toque de ordem – No fim deste expediente, na quarta parte do “boletim do dia”, o elogio vai a todos os oficiais e praças que passaram pelo Quartel de Itu durante estes 100 anos e dignificaram seu nome. Muitos deles inclusive galgaram altos degraus na carreira militar.

Sinceros cumprimentos ao coronel Eber Lyra Leal, que teve o privilégio de comandá-lo no ano de seu centenário. Também ao atual comandante, tenente- coronel Ricardo Alves Pereira, que assumiu o cargo no dia 20 de janeiro de 2018 durante os festejos do seu 100º aniversário. Singelos cumprimentos da população de Itu a essa antiga unidade militar. Em especial da equipe da revista Campo&Cidade, a qual sente-se orgulhosa por realizar mais este importante trabalho na “trincheira” do jornalismo temático histórico.

João José “Tucano” da Silva
Editor responsável



Leia outras matérias

Preservação de um marco referencial
Sob o governo dos militares
Editorial
Trampolim para o generalato