Empresa de Itu é campeã em reúso da água

Termogal investiu R$ 250 mil e hoje reaproveita 100% da água

O codinome “Planeta água”, adotado para caracterizar a Terra, sugere que existe água de sobra no Planeta e que ela nunca faltará. O maior volume (97,5%), no entanto, compõe os oceanos e é salgada. Os 2,5% restantes são água doce, mas excluídos os volumes concentrados nas calotas polares, sobra menos de 1% para o uso humano. Mesmo assim, uma grande parte encontra-se armazenada no subsolo, o que dificulta sua utilização. Somente 0,007% está disponível em rios e lagos superficiais. De acordo com a organização não governamental Rede das Águas, atualmente mais de 1 bilhão de pessoas no mundo sofrem com a falta d’água.

Há algumas décadas, a humanidade despertou para a dura realidade de que, diante de maus usos, os recursos naturais estão se tornando escassos e que é preciso acabar com o desperdício. Uma iniciativa que vem sendo difundida em todo o Brasil pela Confederação Nacional das Indústrias e pelas federações estaduais do segmento é o reúso da água. E uma boa notícia: o município de Itu/SP sedia uma empresa de galvanoplastia campeã em economia de água.

Trata-se da Termogal Tratamento de Superfícies, dedicada à prestação de serviços galvanotécnicos em cobre, níquel, estanho, prata, anodização, alodinização e fosfatização. Ela é pequena, tem apenas 15 funcionários, mas seu modelo de gestão da água, matéria-prima do seu processo produtivo, lhe assegurou sete prêmios, divulgação em publicações e eventos especializados em diversas partes do Brasil e reaproveitamento total da água, com a economia de 15 mil litros por dia.

A empresa existe desde 1985, instalada no Bairro Novo Itu, mas a revolução começou em 2004, quando seu diretor, Luiz Donizeti Rocha, contratou o consultor galvanotécnico Pedro de Araújo e empreendeu o desafio de implantar um sistema de produção mais limpa. Investiu R$ 250 mil e firmou parcerias com as empresas Efil Divisão Galvano e Rohm and Haas Química.

O sistema

O sistema é inédito no Brasil e complexo para o entendimento do público leigo, mas grosso modo, segue os seguintes passos: as peças galvanizadas são lavadas em recipientes próprios (lavadores cascatas); a água resultante desse processo passa por filtros nos quais, a partir de determinadas resinas, se provocam processos eletroquímicos que reduzem o lodo galvânico impregnado de metais pesados; a água segue para uma estação de tratamento de efluentes e retorna aos lavadores. Tudo funciona em circuito fechado, de modo que nem um litro de água é perdido. Há uma tonelada/mês de resíduos sólidos decorrentes do processo, os quais são enviados a uma empresa especializada para incineração. Classificados como classe 2, não podem ser depositados em aterros sanitários convencionais.

Os principais prêmios conquistados pela Termogal com essa tecnologia foram: 2º Prêmio Fiesp de Conservação e Reúso da Água (2007), fase estadual do Prêmio CNI de Desenvolvimento Sustentável (2008 e 2009), fase nacional do Prêmio CNI de Desenvolvimento Sustentável (2008) e Prêmio Ambiental “Ludwig Rudolph Spier”, promovido pela Associação Brasileira de Tratamentos de Superfície (2009).

Outras iniciativas

Pedro de Araújo, autor do projeto de reúso da água adotado pela Termogal, conta que desenvolveu posteriormente sistemas semelhantes para duas empresas de Salto/SP, a Montécnica e a Cirtécnica. Há também outra em Itu, cujo nome ele não pode divulgar por questões estratégicas empresariais, em que o projeto encontra-se em fase de implantação.

Segundo a Companhia de Tecnologia de Saneamento Ambiental (Cetesb), em Itu há duas indústrias que possuem sistemas de reúso da água: a Emicol, que trata e reutiliza a água dos sanitários, e a Elma Chips que, como as demais 11 fábricas do Grupo Pepsico no Brasil, segue uma política mundial da companhia, denominada ReCon, cuja meta é reduzir os consumos de água e eletricidade em 20% e diminuir 25% da quantidade de combustível gasto.

Rose Ferrari



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