Memória Maçônica

Museus e monumentos mantêm vivas as tradições Maçônicas em todo o planeta

São muitos os museus e os monumentos de relevância construídos em referência à Maçonaria no Brasil. Entre os museus de destaque está o Centro Cultural Maçônico do Supremo Conselho do Brasil, localizado no Bairro de São Cristóvão, no Rio de Janeiro/RJ, que tem como objetivo perpetuar as tradições, levando ao conhecimento de seus visitantes a história da Maçonaria.

O espaço, fundado em 1995, por Ney Coelho Soares, naquela época Soberano Grande Comendador, faz parte do complexo arquitetônico da sede do Grande Oriente do Brasil (GOB-RJ) e conta também com a biblioteca Maçônica. O acervo do museu está composto por objetos cerimoniais maçônicos, insígnias, indumentária, paramentos, mobiliário; coleções escultóricas e pictóricas de diversas temáticas e estilos; fotos, filmes, documentos, livros, canecas e pratos decorativos, miniaturas de naus e caravelas, e armaria. Entre as relíquias estão a pena de ouro com a qual a Princesa Isabel assinou a Lei Áurea, em 13 de maio de 1888, e imagens de maçons famosos, como de Dom Pedro I, José Bonifácio de Andrada e Silva e Rui Barbosa.

Ainda no Rio de Janeiro encontra-se o Palácio Maçônico do Lavradio, uma construção neoclássica de grande valor histórico, edificada em 1842 na Rua do Lavradio nº 97. No Palácio funcionam o Grão-Mestrado da Ordem, seus Corpos Auxiliares (Conselho Federal da Ordem, Superior Tribunal de Justiça e Assembleia Federal Legislativa), bem como as Lojas Maçônicas, que lá realizam suas reuniões. Também nele está instalado o Museu Maçônico, cujo acervo é constituído por móveis de madeira de lei, peças históricas, medalheiro, documentos firmados por personagens ilustres, esculturas nacionais e estrangeiras, retratos a óleo dos grão-mestres e, em destaque, duas grandes telas de De Martini, representando a Batalha do Riachuelo. No local existe ainda um trono, que teria pertencido a D. Pedro I, conhecido na Maçonaria pelo codinome Irmão Guatimozim. No mesmo município, está situado o Palácio do Supremo Conselho do Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito, onde existe um pequeno museu.

Outro destaque é o Museu Maçônico Ariovaldo Vulcano, que fica nas dependências do Grande Oriente do Brasil (GOB), em Brasília/DF. Inaugurado em 1995, por ocasião dos 173 anos da fundação do GOB, conta com mais de 6.500 objetos, entre eles a maior coleção de medalhas Maçônicas do País. O Museu Maçônico Ariovaldo Vulcano tem como missão, além de registrar e conservar a história, exibir ao público, peças, elementos e componentes arquitetônicos de qualquer adereço, texto, quadro, selos, joias e documentos históricos.

A cidade de Itu/SP homenageia a Maçonaria com a Praça do Maçom, inaugurada em agosto de 1995 na Avenida Tiradentes, entre os bairros Vila Nova e Rancho Grande. Nela há um totem que faz referência às Lojas Regente Feijó III, Convenção de Itu e Fidelíssima.

Outro símbolo existente na região está localizado em Sorocaba/SP, na Avenida Dom Aguirre, onde há um monumento dedicado ao Conselho Maçônico Sorocabano, que compreende as Lojas Acácia Sorocaba, Brasil III, Fraternidade Acaciana, Fraternidade de Sorocaba, Harmonia e Progresso, Inteligência e Poder, Manchester Paulista, Perseverança III, Rafael Tobias de Aguiar, União Sorocabana e XXVI de Maio. Ainda no Brasil existem outros importantes monumentos nas cidades de Florianópolis/SC, Campo Grande/MS, Rio de Janeiro e São Paulo/SP.

Fora do Brasil há outros museus dedicados à Maçonaria, entre eles o de Livingston, na sede da Loja São João, situada em Nova York, EUA. Faz parte das joias do acervo a Bíblia sobre a qual George Washington fez seu juramento como primeiro presidente dos Estados Unidos, em 30 de abril de 1789. Pelo mundo, há também símbolos de destaque, como em Michigan/EUA, Portland/EUA, Tóquio/JAP e Paris/FRA.

Dom Manoel José da Rocha Neto, um estudioso dos assuntos maçônicos, explica que, assim como as Lojas, todo monumento dedicado à Maçonaria é um patrimônio histórico.

“Quanto mais antiga a Loja, maior sua importância para a História, pois os livros de atas e de presença dos irmãos às reuniões são verdadeiros tesouros. A Loja na qual meu avô (Manoel José da Rocha) foi iniciado, por exemplo, quando de sua fundação no século 19, exigia que o iniciado alforriasse uma criança escrava. Fatos simples na época, mas grandiosos para a História”. Dom Manoel é formado em Filosofia, Teologia e Direito, bispo da Igreja Católica Apostólica Brasileira em Foz do Iguaçu/PR, Mestre Instalado, pertencente ao Grau 33 do Rito Brasileiro e Grau 33 do Rito Escocês Antigo e Aceito, Membro Efetivo do Supremo Conclave do Brasil do Rito Brasileiro.

Maçons ilustres

Em toda a história, o mundo contou com maçons de relevância nas mais diversas áreas da sociedade. No Brasil, alguns presidentes da República pertenciam à Maçonaria, entre eles Manuel Ferraz de Campos Sales, Marechal Hermes Rodrigues da Fonseca, Venceslau Brás Pereira Gomes, Washington Luís Pereira de Sousa e Jânio da Silva Quadros. O Presidente da República em exercício, Michel Miguel Elias Temer Lulia, foi maçom durante catorze anos, de 2001 a 2015.

Ainda na política foram maçons de destaque: Ademar de Barros, Benjamin Constant Botelho de Magalhães, Júlio Prestes de Albuquerque, Mário Covas Júnior, Cândido José de Araújo Viana (Marquês de Sapucaí) e Quintino de Bocaiúva.

Também pertenciam à Maçonaria: o bispo José Carlos de Aguirre, o abolicionista Antônio Bento, o líder da Revolução Farroupilha Bento Gonçalves, o historiador e diplomata José Maria da Silva Paranhos Júnior (Barão do Rio Branco), o palhaço Arrelia (Waldemar Seyssel), o militar Luís Alves de Lima e Silva (Duque de Caxias), o maestro Eleazar de Carvalho, o religioso, jornalista e político Joaquim da Silva Rabelo (Frei Caneca), jornalista e ativista político José do Patrocínio, os compositores Lamartine Babo e Pixinguinha (Alfredo da Rocha Vianna Filho) e o ator Oscarito (Oscar Lorenzo Jacinto de La Imaculada Concepción Teresa Diaz).

Entre os maçons famosos espalhados pelo mundo, destaque para os ex-presidentes dos Estados Unidos Abraham Lincoln e Franklin Roosevelt, o jornalista e inventor Benjamin Franklin, o músico Louis Armstrong, o astronauta Neil Armstrong primeiro homem a pisar na Lua, o ator e diretor de cinema Charlie Chaplin, ex-primeiro-ministro britânico Winston Churchill, o compositor Amadeus Mozart, os escritores Oscar Wilde e William Shakespeare, o militar Simón Bolívar e o cineasta Walt Disney (Walter Elias Disney).

Daniel Nápoli

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Fachada do Palácio do Lavradio, edificado no Rio de Janeiro em 1842 – Site lojasaintmartin.mvu.com.br

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Dom Pedro I, imperador do Brasil, foi um maçom de bastante influência – Wikimedia Commons/Domínio Público

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Fachada do Museu Maçônico Ariovaldo Vulcano, em Brasília – Site Cavaleiros São João Batista

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Monumento dedicado à Maçonaria, na Avenida Dom Aguirre em Sorocaba – Daniel Nápoli

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Bispo Dom Manoel (centro) ladeado por maçons na cidade de Curitiba/PR – Coleção Dom Manoel José da Rocha Neto

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William Shakespeare pertenceu à maçonaria – Wikimedia Commons/Domínio Público

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Primeiro homem a pisar na Lua, Neil Armstrong, era maçom – Wikimedia Commons/Domínio Público



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