Teixeira e as ligações com Itu

Futebol e família são fundamentais neste elo com a cidade

Dono de um vasto currículo no futebol, dentro e fora do Brasil, José de Souza Teixeira, ou simplesmente professor Teixeira, tem laços estreitos com a cidade de Itu/SP, que antecedem – e muito – aquele histórico 1989, quando comandou o Ituano no primeiro acesso à elite do Estado de São Paulo, como o título de Campeão da Divisão Especial.

Os que acompanharam de perto seu trabalho no Ituano são unânimes em apontá-lo como um dos grandes responsáveis pelas conquistas daquela temporada, desde a formação do elenco, planejamento, além das estratégias e táticas utilizadas na competição.

Professor Teixeira, em foto recente em frente ao Estádio Dr. Novelli Junior, em Itu – Tucano

Em suma, era a experiência que faltava a um clube que vinha de boas campanhas em anos anteriores, mas sem nunca ter conseguido o sonhado acesso, até hoje uma referência, um divisor de águas, na história do clube e do futebol profissional ituano.

O detalhe curioso é que a primeira ligação de Teixeira com Itu já existia bem antes que ele mesmo soubesse. Sua esposa, a paulistana Cleide Sanches Teixeira, é filha de um ituano, Izidro Torquato Sanches, falecido em 1975, na capital, onde passou a maior parte da sua vida.

Essa descoberta, porém, veio vários anos depois da morte do sogro, quando Teixeira, analisando documentos, percebeu que Izidro não apenas tinha nascido em Itu, mas também servido o Exército na cidade.

Àquela altura, porém, o próprio Teixeira já tinha criado seus laços com a cidade. Em 1974, ele foi um dos responsáveis pelo surgimento, na capital, da “Escola Bellini”, a primeira de futebol no Brasil, ao lado do “eterno capitão”, Hideraldo Luís Bellini – bicampeão mundial com a Seleção Brasileira (1958 e 1962), falecido em março deste ano.

Além das atividades futebolísticas, os garotos da referida escola participavam, no período de recesso escolar, das chamadas colônias de férias, que aconteciam em Itu, na Etec Martinho Di Ciero, popular Escola Agrícola. Numa delas, Teixeira comandou mais de 130 garotos, de 4 a 12 anos, durante 15 dias, com direito a usar também as piscinas da Associação Atlética Ituana e visitas ao Regimento Deodoro.

Como técnico

Aquela experiência das colônias de férias contribuiu para que Teixeira assumisse como técnico do Ituano 14 anos depois, no final de 1988, quando seu currículo já incluía passagens em comissões técnicas de grandes clubes no Brasil como São Paulo Futebol Clube, Sport Club Corinthians, Santos Futebol Clube, Coritiba Foot Ball Club, e Seleção Brasileira (principal, como assessor de Cláudio Coutinho, e nas categorias de base), além de passagens por clubes da Arábia Saudita, Peru, Colômbia e Estados Unidos.

Teixeira na década de 80, quando iniciou a preparação da equipe do Ituano – Valdir Líbero

Ao ser convidado para dirigir o Rubro-negro, Teixeira tentou declinar, afinal era um time da Divisão Especial (equivalente à atual A-2) e ele recebia vários convites de grandes clubes do Brasil. Valeu a astúcia do então supervisor do clube, José Antonio Bressan, que não perdeu a chance: “quando você precisou de Itu, nas colônias de férias da Escola Bellini, a cidade ficou à sua disposição, e agora que precisamos de você, nada”, disparou. “A que horas é o treino hoje?”, rendeu-se Teixeira, iniciando ali uma trajetória vitoriosa no clube.

Para reforçar ainda mais as ligações de Teixeira com Itu, logo após sua passagem pelo Rubro-negro, sua filha Márcia conheceu, na capital, o ituano e então estudante de Medicina, hoje ortopedista, Luiz Fernando Teochi, com quem se casou e teve dois filhos: Giovanna, hoje com 11 anos, e Leonardo, com 6. Márcia, Luiz Fernando e as crianças residem em Itu.

Tudo isso rendeu ao professor Teixeira – no alto de seus 78 anos de vida, dois livros editados sobre futebol, passagens por mais de 70 países, além de imenso círculo de amigos –, especialmente em Itu, motivos de sobra para retornar à cidade onde é admirado e sempre bem recebido.

Valdir Líbero



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